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Toda ação médica deve ser baseada nos princípios da Bioética, comumente utilizados e de grande aplicação na prática clínica em países civilizados e essas práticas correlacionam-se com quatro princípios bioéticos fundamentais: autonomia, beneficência, não-maleficência e justiça. A autonomia é dada para o próprio paciente ou para um parente direto na incapacidade deste, para a participação na pesquisa ou dela se retirar a qualquer momento. A beneficência visa o bem a ser atingido com a prática médica. A não-maleficência tem como dever não permitir o sofrimento alheio na prática médica e a justiça diz respeito àquilo que é o justo no dever profissional médico e respeitando os outros princípios, dentro de suas limitações.

O número de casos confirmados da doença no estado chegou a 1.553, com 106 mortes, nesta quarta-feira 15/04/2020. Todos estão preocupados com a COVID-19. O principal é buscar soluções para diminuir os riscos que a doença apresenta. A comunidade científica ligada à saúde não ficou parada e esse esforço deve ser reconhecido.

A prática médica e a ciência seguem protocolos estabelecidos internacionalmente para serem reconhecidas como tal. O artigo científico recentemente publicado em inglês: “Difosfato de cloroquina em duas doses diferentes como terapia adjuvante de pacientes hospitalizados com síndrome respiratória grave no contexto de infecção por coronavírus (SARS-CoV-2): Resultados preliminares de segurança de um ensaio clínico de fase IIb randomizado, duplo-cego (CloroCovid-19 Estudo)” que foi conduzido pelo Dr. Marcus Lacerda, da Fundação de Medicina Tropical do Estado do Amazonas, com a colaboração de cerca de cinquenta pesquisadores de várias instituições nacionais e internacionais, privadas e públicas cumpriu todos os requisitos éticos vigentes no país e foi aprovado pela CONEP (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa). Conforme os autores, a pesquisa com dose mais alta reproduziu o que foi praticado na China e na Itália (isto é, não foi arbitrário) e toda a pesquisa científica foi acompanhada por um Comitê de Segurança Internacional, que avaliou preliminarmente os dados e recomendou suspensão imediata do trabalho com o grupo de maior dosagem e o trabalho com o grupo com a menor dosagem continuou normalmente.

De acordo com os resultados, apenas uma baixa dosagem de cloroquina poderá ser usada em pacientes graves com o coronavírus (SARS-CoV-2) no Amazonas. Após esse estudo pioneiro no Estado sobre o uso do medicamento, pode-se apontar que a alta dosagem é muito tóxica para pacientes com a Covid-19 em estado grave. Esse estudo serviu de referência para muitas pesquisas ao nível mundial que estão testando as doses adequadas e correndo contra o tempo.

Tal consórcio de pesquisadores e suas instituições mostraram o quanto é possível se fazer com a ciência e como ela pode dar respostas à sociedade, quando com condições, em tempo recorde. Há de se notar que todos os procedimentos bioéticos e de protocolos clínicos e terapêuticos foram observados, caso contrário, o trabalho nem seria aceito para publicação em revista científica internacional.

Infelizmente, faz parte da rotina das pesquisas em saúde a probabilidade de óbitos ocorrerem, principalmente com paciente graves e ainda mais com uma doença cujo sistema imunológico humano não reconhece o vírus, o que pode acarretar consequências graves. É importante lembrar que o intuito da pesquisa é buscar a dose correta diante de tantas incertezas. Embora tenha ocorrido mortes de pacientes, não desejadas por nenhum profissional da saúde que trabalhou no projeto, não se pode menosprezar a informação científica do risco da dosagem além do necessário.

Após as ocorrências dos óbitos, o estudo foi interrompido tal qual indicam os procedimentos bioéticos corretos. O fortuito é o indicativo que a pesquisa mostra com relação às dosagens que poderão salvar outras vidas, dentro dessa batalha insana que toda a sociedade se encontra inserida tanto contra o vírus quanto à ignorância e à falta de respeito para com a ciência.

A SEDECTI/SECTI vem a público nesse manifesto congratular o grupo de pesquisa pelo trabalho hercúleo e rápido, mostrando o profissionalismo e competência de todos os envolvidos bem como deseja que a todos percebam a importância da CIÊNCIA para a sociedade, e que esta mesma sociedade saia das trevas em que se encontra sobre as verdadeiras informações desta terrível doença que se espalha por todos, independentemente de idade, cor, religião ou ideologia político-partidária. Seguir as orientações científicas da Organização Mundial da Saúde é o caminho para vencermos essa batalha pela vida!

Sedecti/Secti